Uma pesquisa realizada por cientistas brasileiros e britânicos revelou que a sarcopenia, condição caracterizada pela perda progressiva de massa muscular e força, representa um risco de morte maior para idosos do que a síndrome da fragilidade. O estudo foi publicado no Journal of Epidemiology and Community Health e pode contribuir para aprimorar a triagem e o tratamento médico dessa população.
Diferença Entre Sarcopenia e Síndrome da Fragilidade
Ambas as condições afetam o envelhecimento, mas possuem diferenças importantes:
- Sarcopenia: perda contínua de massa muscular, força e desempenho físico.
- Síndrome da fragilidade: condição mais abrangente, que pode incluir fadiga, perda de peso involuntária, lentidão ao caminhar, fraqueza muscular e baixa atividade física.
Embora nem todos os idosos desenvolvam essas condições, a pesquisa sugere que pessoas frágeis frequentemente apresentam sarcopenia. Segundo o professor Tiago da Silva Alexandre, da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), essa descoberta é essencial para que profissionais de saúde possam identificar precocemente os riscos e definir estratégias de tratamento mais eficazes.
O Estudo e Seus Resultados
A pesquisa analisou dados de saúde de 4,5 mil idosos acompanhados ao longo de 14 anos pelo English Longitudinal Study of Ageing (ELSA), do Reino Unido. Os resultados mostraram que o risco de morte varia conforme a gravidade da sarcopenia:
- 17% maior em idosos com provável sarcopenia (fraqueza muscular apenas).
- 31% maior em casos confirmados de sarcopenia (fraqueza associada à perda de massa muscular).
- 62% maior em idosos com sarcopenia grave (fraqueza, perda de massa muscular e lentidão na marcha).
Por outro lado, o risco de morte entre idosos com a síndrome da fragilidade foi 49% maior em comparação aos que não apresentavam a condição.
Os pesquisadores destacam que a identificação precoce da sarcopenia pode contribuir para a adoção de intervenções, como atividade física orientada e nutrição adequada, ajudando a reduzir os riscos associados e melhorar a qualidade de vida dos idosos.